sábado, 25 de fevereiro de 2012

FIT 2011 - UMA EXPERIÊNCIA DE SORRISOS E LÁGRIMAS!!!

Antes de mais nada, fico muuuito feliz de dizer a todos que a apresentação do espetáculo "O Auto da Compadecida" no FIT de Nova Friburgo em 2011 foi uma experiência iluminada. Na grandeza da palavra ILUMINADA!! Portanto, por mais que eu descreva o que aconteceu no último domingo do Festival Intercolegial do CNSD em setembro de 2011, não vou conseguir reproduzir este momento...até porque...momentos únicos são maravilhosos porque são assim: únicos!!! Mas vamos lá... Vou tentar....
A peça "O Auto da Compadecida" foi o resultado de 2010 da turma do Ensino Fundamental II do Colégio Pentágono. E foi escolhida para representar o Colégio no festival referido.
Saímos da porta do Pentágono domingo bem cedo....(Isso depois termos passado um sábado de nervos e suor com a apresentação do especial "MAMMA MIA" que aconteceu dentro do Colégio.) Bom, estavam todos entre cansados e ansiosos para a apresentação.
Chegando em Nova Friburgo, desembarcamos todos: eu, os pais dos nossos atores, um grupo com alguns da turma de teatro do ensino médio, e os próprios astros do dia, é claro.

Como, graças a Deus, costumo dizer: esse conjunto de atores em formação é bastante disponível, simpático, bagunceiro e aberto para novos encontros e novas amizades. Resultado: no meio do dia eles já eram amigos incondicionais do outro grupo de atores que estava concorrendo no festival com o mesmo espetáculo que nós. O que significou mais ansiedade e algum medo de não corresponder às expectativas da platéia, de seus pais, minhas e deles mesmos....
Depois de um dia bastante agitado, recheado de apresentações de diferentes colégios com espetáculos clássicos, eram quase oito horas e estava quase na hora da nossa apresentação. 

Já disse que uma das qualidades desse conjunto de meninos e meninas é a solidariedade e parceria? Pois então, os mais velhos ajudaram nosso elenco a se maquiar, se arrumar, relembrar texto, aquecer vozes, corpos e relaxar mentes...E é aí que a magia começa a acontecer...Quando ninguém está dando por ela...

Dentro do camarim improvisado cheio de cadeiras e mensagens positivas (como toda sala de aula) fizemos uma oração em roda, uma roda com mais de 30 pares de mãos e barrigas cheias de friozinho. Abençoado friozinho na barriga!! E toda àquela iluminação que comentei no início foi brilhando devagar.
O elenco começou o espetáculo na platéia, cantando e dançando, recebendo cada homem, mulher, criança....que entrava no teatro. Uma energia tão bonita rolava no ar tão fortemente que, sem nenhuma explicação, quando o elenco começava seu texto em coro dando as boas-vindas ao público, aconteceu um black out total no teatro. Tudo ficou no escuro completo. Eu entrei em pânico por alguns instantes. A nossa amiga e iluminadora, Mariana Gralato, que adotou nossa luz naquele dia, mandava que eu parasse o espetáculo, que eu interrompesse a apresentação. Como eu poderia parar toda aquela energia que já circulava no palco e na platéia? E enquanto pensávamos o que fazer num tempo de talvez 20 ou 30 segundos, o escuro se iluminou. Não, meus queridos, a luz não voltou, mas o elenco completamente no escuro continuou a falar seu texto, cantar sua música e se mexer acrobaticamente, como havia ensaiado. Se eu disser que parte da platéia que assistiu a 6 ou 7 minutos de cena e música no breu completo pensou que era parte da cena, vocês acreditariam? Pois acreditem. Quando a luz voltou tudo seguia normalmente, com o mesmo vigor anterior.


A segunda emoção da noite nos foi dada por um menino de 5 anos. Yuki, irmãozinho de uma das meninas do elenco, assistia a peça atento aos fatos e diálogos do espetáculo. Quando finalmente João Grilo é morto (por um cangaceiro de Severino do Aracajú - para quem lembra da peça...) a platéia se emocionou com o bife de seu amigo Chicó e a música de Geraldo Azevedo ao fundo. Como eu sei que a platéia se emocionou? Yuki, de cinco anos, chorou copiosamente a morte de João Grilo, chamando pelo personagem, abraçado a seu pai, enquanto a platéia assistia a cena em profundo silêncio. Foi lindo de se ver.
Terceira e última grande demonstração de coletividade e integração. Uma de nossas atrizes precisava muito ir ao banheiro. Seria alguma coisa bem simples de se resolver se ela não tivesse que ficar em cena por 90 minutos seguidos.... Como resolver?

Bom, ela definitivamente não conseguiu se segurar. Quando, coberta por seus colegas de cena, no momento exato, saiu do palco, sem que metade da platéia visse (incluindo todos nós na cabine), chorou de desespero por estar com seu figurino comprometido, por estar envergonhada e por achar que não haveria como consertar sua emergencial saída. Mas quem tem anjo-da-guarda não morre pagão. Duas colegas da turma do Ensino Médio estavam no camarim esperando a única saída de cena acontecer: Chicó viraria Nossa Senhora muito rapidamente, por isso elas estavam ali. Ao verem a cena, uma delas ficou consolando, retocando a maquiagem, e acalmando a atriz fugitiva; enquanto a outra corria até nossa sala-camarim atrás de uma calça...qualquer calça...que substituísse seu figurino....Outros ainda correram até ela para ajudar a achar a calça ideal. E no meio da correria para tudo dar certo no tempo certo, o Padeiro, patrão de João Grilo, retornou à cena em tempo de falar seu texto e dar sequencia à peça como se nada tivesse acontecido.

E fora todas essas emoções, houve ainda grande comoção com a entrada da Compadecida, com as histórias e a sintonia perfeita de João Grilo com seus companheiros e sua platéia. Tivemos gargalhadas e lágrimas durante 90 minutos de ariano suassuna e cantigas e músicas nordestinas.
O final deste festival foi inesperado para este grupo de atores dispostos a brincar entre si e com sua platéia; e merecido por sua energia, alegria, fibra, cumplicidade e generosidade.
"O Auto da Compadecida" foi indicado para quase todas as categorias premiadas e ganhou merecidamente o prêmio de MELHOR ESPETÁCULO DO FIT 2011.





Contudo, o prêmio maior foram as lágrimas e os abraços afetuosos de dezenas de pessoas que nos pararam entre a coxia e a nossa sala-camarim. Os olhares emocionados, os braços com abraços fortes e as vozes embargadas daqueles que nos assistiram são um prêmio que não tem dimensão e nem pode ser materializado em nenhum troféu.
Viva o teatro e seu poder coletivo!!!!