Em 26 de setembro acabou o Festival de Teatro Notre Dame de 2010; e, mais uma vez, nós (eu, meus alunos e seus amigos e pais) tiveram uma experiência de gritos, lágrimas e sorrisos. Adianto que o saldo final sempre tem sido positivo e gratificante, mas a cada ano acontece alguma coisa para nos ensinar uma nova lição...Me explico agora....
Nosso grupo de atores, em todos esses anos, cresceu, amadureceu e conquistou fama e prêmios neste Festival. O que é muito bom... Mas sempre existem dois lados... Por culpa (e que boa culpa!) de um trabalho feito com muita dedicação e carinho, os resultados são sempre condizentes com o esforço empregado. E, este ano, descobrimos que esta matemática é pragmática.
Os atores do Colégio Pentágono haviam ganhado muitos prêmios em 2009 com os musicais "Ópera do Malandro" e "Os Saltimbancos", ambos de Chico Buarque; e ouviram durante os três dias iniciais da mostra de 2010 uma série de elogios e de expectativas de seus amigos, parentes e dos estudantes de colégios amigos e concorrentes.
O espetáculo adulto desta vez era "Cabaré - o espetáculo", baseado no universo do filme homônimo. E lá estavam os adolescentes prontos para a peça, todavia repletos de uma imensa responsabilidade: fazer valer todos os elogios e toda a torcida.
Aos amigos, agradecemos sempre o respeito e o carinho!...
Porém, o elenco de "Cabaré" experimentou dois sentimentos distintos e fatais.... O peso de ter que corresponder a qualquer custo a todos aqueles que ali vibravam, e uma pequena pitada de "já guanhei...". Ambos os sentimentos causaram insegurança em alguns e descompromisso com a competição em outros... Conclusão da matemática: indicações sim, mas prêmios, não... Vou me consertar: tróféus, não.... Porque acredito que, como alunos que sempre somos, tivemos uma boa aula.
Não que este grupo não merecesse ou não desejasse a premiação, mas acredito que todos entendemos que um friozinho na barriga é sempre bom, contudo, antes de mais nada, eu preciso confiar em mim, no meu grupo e no trabalho realizado, independente do julgamento alheio. E em contraponto a isso, eu confio sim, mas uma dose de garra e de inquietude vai sempre fazer o instinto do "quero melhorar" manter-se acordado dentro de nós.
Para conforto, sorriso e alegria de todos nós, os pequenos atores do infantil "As meninas e o vento", que ainda não haviam sido citados nos deram uma nova lição.
Não é de hoje que os espetáculos adultos sempre são os mais aguardados e os que geram maior tensão entre o público. Os infantis ficam confinados aos menores, aos mais inesperientes, que farão um teatro também "menor"... Terrível engano!
Os alunos do Ensino Fundamental (estes sim, com menor pressão e menos responsabilidade de ganhar, até por estarem ainda na mais tenra idade brincante) entraram em cena cheios de vontade de executar com alegria e perfeição os comandos dados nos ensaios pela professora. Só isso! E fizeram tão bonito, mas tão bonito, que arremataram quatro dos oito troféus concorridos (Melhor cenário, sonoplastia, atriz (Giovanna de Luca) e espetáculo). Os menores, que estava ali o tempo todo...
Qual a diferença entre os dois espetáculos de uma mesma direção e filosofia?
Objetivo... Fazer teatro, dar um novo universo surpreendente e verdadeiro ao seu público, com generosidade e sem esperar nada em troca. Porque a troca já está ali. O ator é como um mágico, vive da ilusão de proporcionar a ilusão pelo simples prazer de tornar possível o imaginado. Esta é a mágica.
Agora sabemos de cór (que vem de "saber de coração"). Isso todos nós levamos pra casa. Este foi o nosso maior troféu.



1 - "Cabaré - O espetáculo"
2 - "As Meninas e o Vento"
3 - TODOS os alunos concorrentes!!
Olá, Andrea, tudo bem?
ResponderExcluirEu estou pesquisando para um projeto de documentário, e eu acredito que vc possa me ajudar. Será que podemos entrar em contato?
Meu telefone: (11) 65324807
Meu email: maluceli@gmail.com
Ficaria muito feliz se vc respondesse. Acredito mesmo que vc possa me ajudar.
Até